quinta-feira, 1 de maio de 2008

Quando o fim se aproxima

"You can live with dignity. You can't die with it!" (House M. D., Episode 1 Season 1)

O tema da morte sempre foi visto como um tabu. Ninguém fala sobre isso. Calamo-nos, na esperança de que o nosso dia nunca chegue, nem o dia dos nossos. Todos temos medo desse dia, medo de desaparecer, medo de perder as pessoas que nos são próximas. Todos pensamos que teremos tempo para fazer o que queremos, para concretizar os nossos sonhos e objectivos, para podermos "morrer em paz". Mas ninguém sabe o que o dia de amanhã nos reserva…

No 1º episódio da famosa série televisiva Dr. House, uma rapariga na casa dos 30 anos, farta de tantos exames médicos que não lhe dizem o que ela tem, decide que não vale a pena continuar a lutar e pretende morrer – acabar com todos os tratamentos e deixar a Natureza fazer a sua função. Pretende "morrer com dignidade"... Mas o Dr. House não se dá por vencido e não a deixa desistir! Ele vê que esta rapariga ainda tem muito para viver. Não está na hora do seu final! Assim, convence-a de que deve fazer tudo para sobreviver. Quando ela diz que quer morrer com a sua dignidade, este médico convence-a do contrário, com o argumento de que dignidade não é algo que se leve para a morte – faz parte da vida, e por isso ela deve lutar para mantê-la, nesta vida.

Já nas unidades de cuidados paliativos, que estão a aparecer cada vez em maior quantidade, o objectivo é ajudar as pessoas às quais a medicina já não tem mais nada a oferecer, a atravessar os seus últimos momentos, – mesmo tendo o corpo degradado ou as diversas capacidades debilitadas, dores em todo o lado – da forma mais pacífica e menos perturbada que for possível. Marie de Hennezel é uma psicóloga e escritora que escreveu sobre estes cuidados do final da vida, tão importantes e tão pouco lembrados. Nas suas obras, ela fala de várias pessoas que acompanhou nos últimos tempos, da forma como a inquietação que traziam dentro de si quando entravam nas instalações, se ia transmutando na paz interior com que deixavam este mundo...

2 comentários:

M. disse...

A minha morte não me assusta, é a unica coisa certa que temos. Assusta-me a dor que possa sentir até ao momento de morrer.
A morte de outros, coisa inevitavel a todos nós, custa pelas saudades que deixa,mas tambem a consciencia que nalgum sitio, nalguma altura, nos reencontraremos.
O espirito nao morre, mais não seja no nosso coraçao...

Catarina disse...

Pois é, Maria! A minha própria morte também não me assusta nem preocupa propriamente... Como tu disseste, por outras palavras 'A morte custa mais aos que ficam!'... Não sei o que nos acontece "depois deste mundo" mas não me preocupa muito! Preocupa-me mais pensar no tempo que terei de passar cá sem os que me são queridos! Como tu disseste: as "saudades"! É isso que me preocupa...