domingo, 26 de janeiro de 2014

O problema da (falta de) Auto-Confiança

A auto-confiança é a crença que cada um de nós tem sobre as próprias capacidades ou julgamentos. Esta crença é moldada por experiências de vida passadas e vai, por sua vez, moldar a forma como encaramos as experiências futuras. 

Uma pessoa com baixa auto-confiança habitualmente revela uma grande insegurança nas suas afirmações ou acções, procurando constantemente a aprovação de outros, a confirmação de que o que está a fazer ou a dizer está correcto. Esta necessidade de aprovação acaba por ter um efeito contrário, levando os outros a subestimar o indivíduo inseguro.

Como lutar contra esta tendência? Este processo irá implicar ao indivíduo uma constante consciencialização dos seus pensamentos e acções para conseguir proceder a uma mudança interior. A pessoa insegura e pouco auto-confiante terá de dizer a si própria várias vezes "eu já consegui antes" ou "X disse-me que eu era capaz", "portanto tenho de acreditar que é verdade". 

Por outro lado, a subestimação em que incorre ao transmitir as suas inseguranças aumentam ainda mais este sentimento. Portanto o indivíduo deve lutar por 'esconder' as suas dúvidas e inseguranças exageradas (mesmo que sejam ainda muito fortes dentro de si - a diluição das inseguranças interiores virá mais facilmente para o indivíduo se este não tiver de se deparar constantemente com o reflexo delas nas reacções das pessoas com quem convive). "Fake it until you make it" - ao esconder as inseguranças que sente, o indivíduo vai perceber que afinal até é capaz de realizar o que pensava não conseguir, e no final a segurança transmitida é mesmo a segurança sentida!


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

New Year, New Resolutions – but how to make them stick?

When the New Year comes many of us get thinking about ‘resolutions’, about the things we would have liked to have done in the year that just ended, but for one reason or another (or without a real reason except that life got in the way) we didn’t. We think about changes we want to see in ourselves, how we want to improve, how to be a better person. However, even if we start off by doing some things differently, by the end of January we ‘forget’ about these life-changing goals and go back to our old ways.

Why do we do this? Why can’t we keep on with these great goals that will result in becoming a better ‘me’? It’s all about motivation and will-power! It’s so much easier to carry on the way we’ve always been, it’s automatic and therefore we do it without having to think about it, without any effort. Deciding to make a change in our way of living, of being, on the other hand, involves a lot of effort and energy – you have to constantly think about what you’re doing and how you’re supposed to act so that you don’t go against your resolution goal.

What can we do to make our resolutions work? Maybe start small, look for a smaller scale goal that you want to achieve (e.g. don’t go from no exercise to exercising every single day; maybe start by aiming for 2 or 3 days a week, and promise yourself – adding another goal / resolution – to revise this plan in 2 months and see then if you should add more weekly exercise). You can also involve someone else, a friend or a relative, join an online forum… For many people it’s much easier to stick to their plan if someone else is doing it with them or keeping up with the progress, so if possible, don’t do it alone!


Happy New Year everyone! J


quinta-feira, 12 de março de 2009

Na Escola de Vilarinha os pais podem deixar os filhos até às 18h30

Há composições coladas na parede que começam todas por “Era uma vez…”. Nas janelas, autocolantes coloridos com figuras recortadas. As mesas estão dispostas num quadrado aberto para o quadro de lousa e, espreitando, o que se vê são crianças compenetradas sobre os cadernos. Como numa aula normal. Só que o toque de saída das 17h30 já tocou há um pedaço e esta não é uma aula normal, como vem explicar à porta Zé Guimarães Costa, sete anos de idade e dois de escola: “Estamos no prolongamento a fazer os trabalhos de casa”.
Na Escola Básica da Vilarinha, no centro do Porto, há vários anos que os pais asseguram, com o apoio da Junta de Freguesia de Ramalde, o prolongamento de horário até às 18h30. Cada pai paga “uma quantia simbólica de vinte euros”. Como revela a presidente da respectiva associação, Cláudia Barrias. Dá direito a acompanhamento nos trabalhos de casa, aulas de dança, brincadeiras em ambiente seguro e “a um lanche composto por uma peça de fruta, uma sande e iogurte”.
No ano passado, havia mais actividades. “O karaté custava dez euros por mês e a informática quinze”, conta Cláudia. Este ano, “muitos pais desistiram por causa das dificuldades financeiras”.
Das 180 crianças desta escola, há 50 inscritas no prolongamento. Como o Zé, que explica: “Quando acabo os trabalhos de casa, com a ajuda da professora, também faço desenhos. E também brinco, quando me deixam sair da sala”. Preferia ir para casa? “Sim, para ver televisão ou desenhar”. Quanto aos pais, “à noite estão sempre muito ocupados”. E diz que, claro, gostava de brincar mais tempo com eles. Não fosse dar-se a seguinte situação: “A minha mãe é professora de italiano e faz legendas na Casa da Música e ia ganhar pouco dinheiro se trabalhasse menos”.
Postas as coisas assim, melhor na escola do que em casa, na opinião da irmã, Mariana Guimarães Costa, de nove anos, aluna do 4º ano e fã incondicional dos prolongamentos, “Só não gosto muito da dança porque a professora faz muito aquecimento. Mas prefiro estar aqui porque não gosto de atrasar os trabalhos de casa e, quando acabamos, se tivermos tudo certo, ainda podemos ir brincar. E eu também gosto de ajudar os meninos mais novos que precisam de mais atenção”.
A conversa decorre num dos corredores da escola, cheio de cabides em versão mini para os casacos, e a psicóloga Raquel Pinto, que costuma acompanhar os miúdos no prolongamento, assegura que o costume, se acontece os pais chegarem um bocadinho mais cedo, é “eles virarem-se para os pais e pedirem ‘Espera só mais um bocadinho que eu quero acabar…”. Às sextas é diferente. “Estão mais cansados e por isso optamos quase sempre por ver um filme ou, quando está bom tempo, pomos música lá fora e ficamos a dançar com eles”.
No vaivém do corredor, passa Jorge Oliveira Sousa, de 56 anos, avô de “uma neta de oito e um neto de quatro”. Estão ambos no prolongamento. “Concordo com a ideia desde que as escolas tenham um registo da efectiva necessidade de os miúdos ficarem até mais tarde”, responde. Depois, com mais ênfase: “As escolas não existem para facilitar a vida aos pais que querem ir ao cinema ou às compras”. Portanto, “o importante é que não se caia no abuso”. Agora, se a medida for encarada como uma situação de apoio a necessidades reais de famílias, “cem por cento de acordo”.
Está ele e está Eduarda Moreira, de 47 anos, consultora de sistemas de informação e mãe de um miúdo que se apressou a entrar no carro. “Às vezes ele fica cansado, mas, com esta última hora, ele já leva os trabalhos de casa feitos – o que é bom – e vai convivendo com os outros miúdos, fazendo coisas no computador. Não é só trabalhar”. Não houvesse prolongamento nesta escola, ATL (Actividades de Tempos Livres) com ele. “Das duas uma: ou não nos exigem tanto em termos de trabalho, e permitem-nos horários mais leves, ou arranjem-nos outras soluções”.
O raciocínio aplica-se também às férias. No caso da Vilarinha, há campos de férias organizados pela junta de freguesia, sempre com a escola a servir de base: os almoços e o lanche fazem-se em recinto escolar. “Decorrem das 9h às 18h30. Nas férias grandes, é desde o dia 20 de Junho até 31 de Julho e depois, novamente, a partir do dia 1 de Setembro”, calendariza Cláudia Barrias. “Os pais pagam trinta euros por semana, com direito a várias actividades e visitas”, explica a representante dos pais, para concluir: “Estes campos são óptimos, até para os meninos que vêm para o primeiro ano e têm oportunidade de conhecer os cantos à casa e os miúdos mais velhos antes de arrancarem as aulas”.
(Natália Faria, in Público 7 de Fevereiro de 2009)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Arte de Cativar e Ser Cativado...

- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...

- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...

- Ah! Então, desculpa! - disse o principezinho.

Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:

- «Cativar» quer dizer o quê?´

- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer criar laços...

- «Criar laços»?

- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê; por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti...


- Tenho uma vida terrivelmente monótona - disse ela. - Caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com as outras e os homens são todos parecidos uns com os outros. Por isso, às vezes, aborreço-me muito. Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outro passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles campos de trigo ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado e vai fazer com que me lembre de ti. E hei-de gostar do som do vento a bater no trigo...

A raposa calou-se e ficou a olhar para o príncipezinho durante muito tempo.

- Por favor... cativa-me! - acabou finalmente por pedir.

- Eu bem gostava - respondeu o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e muitas coisas para compreender.

- Só compreendemos o que cativamos - disse a raposa. - Os homens deixaram de ter tempo para compreender o que quer que seja. Compram as coisas já prontas nas lojas. Contudo, não há nenhuma loja onde possa comprar-se amizade e, portanto, os homens deixaram de ser amigos. Se queres um amigo, cativa-me...

- E tenho de fazer o quê? - perguntou o principezinho.

- Tens de ter muita paciência - respondeu a raposa. - Primeiro, sentas-te longe de mim... assim... na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. As palavras são uma fonte de mal-entendidos. Mas podes sentar-te cada dia um bocadinho mais perto...

O Principezinho. cit. Hayden, Torey. A criança que não queria falar. Editorial Presença. 2007

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Quando o fim se aproxima

"You can live with dignity. You can't die with it!" (House M. D., Episode 1 Season 1)

O tema da morte sempre foi visto como um tabu. Ninguém fala sobre isso. Calamo-nos, na esperança de que o nosso dia nunca chegue, nem o dia dos nossos. Todos temos medo desse dia, medo de desaparecer, medo de perder as pessoas que nos são próximas. Todos pensamos que teremos tempo para fazer o que queremos, para concretizar os nossos sonhos e objectivos, para podermos "morrer em paz". Mas ninguém sabe o que o dia de amanhã nos reserva…

No 1º episódio da famosa série televisiva Dr. House, uma rapariga na casa dos 30 anos, farta de tantos exames médicos que não lhe dizem o que ela tem, decide que não vale a pena continuar a lutar e pretende morrer – acabar com todos os tratamentos e deixar a Natureza fazer a sua função. Pretende "morrer com dignidade"... Mas o Dr. House não se dá por vencido e não a deixa desistir! Ele vê que esta rapariga ainda tem muito para viver. Não está na hora do seu final! Assim, convence-a de que deve fazer tudo para sobreviver. Quando ela diz que quer morrer com a sua dignidade, este médico convence-a do contrário, com o argumento de que dignidade não é algo que se leve para a morte – faz parte da vida, e por isso ela deve lutar para mantê-la, nesta vida.

Já nas unidades de cuidados paliativos, que estão a aparecer cada vez em maior quantidade, o objectivo é ajudar as pessoas às quais a medicina já não tem mais nada a oferecer, a atravessar os seus últimos momentos, – mesmo tendo o corpo degradado ou as diversas capacidades debilitadas, dores em todo o lado – da forma mais pacífica e menos perturbada que for possível. Marie de Hennezel é uma psicóloga e escritora que escreveu sobre estes cuidados do final da vida, tão importantes e tão pouco lembrados. Nas suas obras, ela fala de várias pessoas que acompanhou nos últimos tempos, da forma como a inquietação que traziam dentro de si quando entravam nas instalações, se ia transmutando na paz interior com que deixavam este mundo...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Motivation

You know how students nowadays don’t show much interest on school (or anything for that matter…). The thing is, I believe it is not entirely their fault! In my opinion the educational system is so focused on theory and relies so much on the traditional learning program, that it is absolutely outdated… It just doesn’t work! And the result is that children are less motivated to move forward, they have lost all interest and lost their way. So they wander around trying to figure out who they are and what they want to do whith their lives. The problem is, it’s getting harder and harder for them to find the way. That's why we should be thinking about what we can do to fix this lack of motivation and lack of focus, in order to help the children and all society.
The future depends on our children!